jusbrasil.com.br
19 de Agosto de 2022

Qual verdadeiro interesse de se colocar em xeque as urnas eletrônicas?

Alegar sem provas, mais uma vez, descredibiliza a própria crítica ao sistema!

José Herval Sampaio Júnior, Juiz de Direito
há 29 dias

Nessa polarização teratológica e de certo modo inimaginável dentro da tradição brasileira, surgem críticas e até mesmo deploráveis ataques às instituições, e mesmo nunca tendo abandonado minha participação como cidadão https://joseherval.jusbrasil.com.br/artigos/474538868/o-juiz-perdeaqualidade-de-cidadao-pelo-exerc... , tenho me reservado, justamente porque qualquer opinião é de plano indicada como posição ideológica para um lado ou outro.

Entretanto, não posso me furtar, nesse difícil momento, em que mais uma vez, se coloca em xeque o sistema eleitoral eletrônico e o pior sem qualquer comprovação do alegado. As críticas às urnas e na realidade a toda sistemática eleitoral, dentro de nosso Estado Constitucional Democrático de Direito, é mais do que natural, pois a liberdade de pensamento, junto sempre com as devidas responsabilidades, não tem limite em relação a temas, porém há de se ter, por outro lado, ciência e consciência das consequências de se apontar fatos sem o mínimo de provas, em especial se utilizando da estrutura do cargo ocupado.

Não serei irresponsável de apontar quais interesses permeiam essa nova declaração perante embaixadores estrangeiros, porque seria um patente subjetivismo de minha parte, contudo, deixo a indagação no ar como se diz, para que a população reflita sobre as razões de se insistir numa prática que inclusive na forma proposta pelo Governo foi recusada pelos legisladores e a ampliação da segurança de todo o processo vem sendo feita desde 1996, logo o que se espera é que se auxilie o aprimoramento do sistema como um todo e não a sua desqualificação perante autoridades estrangeiras, que por óbvio, conhecem a excelência da Justiça Eleitoral, destacada em nota da Associação dos Magistrados Brasileiros https://www.amb.com.br/nota-pública-da-amb-em-defesa-da-justiça-eleitoral-brasileira/

Então, de modo objetivo como deve ser, que apareçam provas das alegadas fraudes, e a partir daí, de modo republicano, as instituições responsáveis procurem solucionar os problemas, porém, no momento, o que existe de fato e de concretos são suposições com interesses outros sinceramente, pois quem quer colaborar com o aprimoramento não seguiria o caminho que infelizmente se tem visto, logo como Juiz Eleitoral há mais de vinte anos, tendo acompanhado de perto todas as verificações e auditorias nas urnas e em todos os processos, sempre ao lado de experts, não se vislumbra, nem de longe, nenhuma das acusações infundadas e subjetivas que se faz ao sistema eleitoral eletrônico.

Atestando a linha supra, várias associações e entidades civis emitiram nota repudiando as declarações, que muito mais nos constrange perante a comunidade internacional, já que a busca pelo aperfeiçoamento do sistema como um todo é, sem sombra de dúvidas, a melhor solução para as alegadas vulnerabilidades não comprovadas, ressaltando, ainda, que mesmo que haja dificuldade técnica de se comprovar o alegado, como alguns críticos a essa linha por nós adotada, a forma conduzida pelo Presidente também não é a mais republicana e principalmente imbuída da boa-fé quanto ao aprimoramento do que já se tem como construído ao longo de todos esses anos. https://www.em.com.br/app/noticia/política/2022/07/19/interna_politica,1381252/bolsonaro-entidades-repudiam-ataquesaurna-eletronica.shtml

Portanto, o escopo dessa pequena manifestação é tão somente ratificar o que venho dizendo há anos, e que não se pode querer descredibilizar da forma constrangedora que se tem visto, como muitos cidadãos preocupados com a imagem do país vem se manifestando https://bit.ly/3yPgqBF, logo vamos deixar de lado esses posicionamentos radicais para um lado e outro, pensando no melhor para o nosso Brasil de forma objetiva, e com certeza deslegitimar, sem provas, o Poder Judiciário, não é um caminho salutar, e até mesmo os defensores mais fervorosos do Presidente sabem disso e os que insistem, sinceramente, devem ter interesses outros como dito, que sequer ouso apontar, mas que não posso deixar de fazer o devido contraponto, mesmo com o risco de ser taxado de posição política para o outro lado.

Já disse e repito, não tenho e nem posso ter lado político eleitoral, meu lado é o da Magistratura em defesa da sociedade e das instituições democráticas!

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2 Comentários

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A pergunta deveria ser outra: qual é o real interesse em se evitar a auditabilidade do sistema? continuar lendo

Muito bom. Claro e objetivo. Parabéns continuar lendo